Rio é a cidade do país com a maior letalidade pela Covid-19, com mais de mil mortos

Governador do Rio prorroga isolamento no estado até dia 31 de maio.

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Nesta sexta-feira, o Estado do Rio de Janeiro chegou a 15.741 casos registrados do novo coronavírus, com 1.503 óbitos. Só na capital fluminense, já foram contabilizados 9.672 infectados, com 1.002 mortos. A realidade é ainda mais assustadora se olharmos para os números de outras cidades do país.

Na quinta-feira, o município do Rio assumiu o topo da estatística de letalidade (número de casos pelo de óbitos) por coronavírus entre todas as capitais brasileiras, superando Manaus, onde vítimas chegaram a ser enterradas em valas. O que está por trás desses números, como a possível subnotificação de casos, preocupa os especialistas. É bom observar que, na análise de casos por 100 mil habitantes, Manaus continua no topo, superando a média nacional de incidência da doença na população. O Estado do Rio já estava à frente das outras unidades da federação.

A Covid-19 não escolhe endereço, idade, nem classe social destaca a cardiologista e clínica geral Flavia Verocai, de 41 anos, que já viu nove de seus pacientes sucumbirem à pandemia e chegou a contrair a doença no fim de março.  O meu maior drama foi ficar tantos dias isolada, sem poder ver meu filho, de 7 anos.

O Rio registrou, na quinta-feira, a maior taxa de letalidade por Covid desde o início da pandemia na capital (6 de março). A série histórica, acompanhada pelo aplicativo Monitora Covid-19, da Fiocruz, indicava que, no 58º dia (2 maio) dessa contagem, a letalidade no município era de 9,35%, muito acima do padrão internacional. Um dos fatores para explicar o número pode ser a baixa testagem de casos suspeitos, o que se reflete nas estatísticas de morte. Com uma base maior de casos confirmados, a letalidade tenderia a cair. Na noite de quinta-feira, informações oficiais davam conta de que o Rio chegava a 9.051 casos e 919 óbitos, com a relação subindo para 10,15%. Manaus caiu para segundo, com 9,54% (5.897 casos e 563 óbitos). Nesta sexta-feira, a cidade do Rio ainda permanecia na frente (10,35% de letalidade), com Manaus em seguida, com 10%. Em São Paulo, a taxa alcançou 8,01%.

No estado, o alerta vermelho foi dado em 4 de maio. Nesse dia, ao analisar a progressão da letalidade no Brasil, pesquisadores verificaram que o Rio apresentou a maior taxa (9,09%), seguido por São Paulo (8,25%) e pelo Sudeste em geral (7,94%).

Especialistas como o epidemiologista Roberto Medronho, do Núcleo de Saúde Coletiva da UFRJ, a pesquisadora Mônica Magalhães, do Laboratório de Informação e Saúde da Fiocruz, e o médico Leonardo Weissmann, da Sociedade Brasileira de Infectologia, acreditam que as subnotificações e a pouca testagem (na rede pública, é limitada a pacientes muito graves) são fatores importantes para entender esse ranking.

Por outro lado, informações sobre óbitos no Rio custam a chegar ao Ministério da Saúde. No último boletim epidemiológico do órgão federal, referente à semana de 18 a 26 de abril, o Rio era o estado com maior diferença entre os registros de óbitos por Covid-19 feitos por cartórios até então (1.140) e os que entraram na estatística oficial (645). Uma diferença de 495.

Mas, diante dos novos números disponíveis, Medronho afirma que a situação do estado e do município do Rio é delicada:

Estamos vendo é uma sobrecarga nas emergências e nas UPAs. Os pacientes estão ficando muito tempo à espera de transferência para um leito. E já chegam ao hospital com um quadro grave e, muitos, em poucas horas, vão a óbito. A rede pública está colapsando. E não chegamos ao pico.

As secretarias de Saúde do estado e do município reiteram que os casos e óbitos contabilizados em um dia não refletem a realidade de 24 horas. São os números de mortes que foram incluídos naquele dia.

Fonte: redetvwebmais

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